Primeira noite de apresentações dos Bois de Manaus reúne tradição, estreias e despedida no Sambódromo

Clamor de um Povo, Garanhão e Corre Campo abriram as apresentações dos bumbás na programação do 68º Festival Folclórico do Amazonas

O Sambódromo de Manaus recebeu, nesta sexta-feira (07/08), a primeira noite de apresentações dos Bois de Manaus, dentro da programação do 68º Festival Folclórico do Amazonas. Clamor de um Povo, Garanhão e Corre Campo levaram para a arena espetáculos marcados pela valorização da cultura popular, defesa da Amazônia, estreias em itens oficiais e homenagens a personagens que construíram a trajetória das agremiações.

A programação reuniu torcedores, brincantes, artistas e representantes dos bumbás para uma noite dedicada à tradição do boi-bumbá na capital amazonense. Cada agremiação apresentou uma proposta diferente, passando pela celebração da própria história, preservação ambiental e valorização dos povos tradicionais da floresta.

Com entrada gratuita, a programação integra o 68º Festival Folclórico do Amazonas e mantém viva uma das manifestações culturais tradicionais da capital. Além da disputa na arena, os espetáculos movimentam comunidades, artistas, músicos, artesãos, costureiras, dançarinos e diferentes profissionais envolvidos na preparação dos bumbás.

Clamor de um Povo celebra 30 anos de trajetória

Com o tema “Clamor – 30 anos de tradição”, o Clamor de um Povo abriu a noite de apresentações revisitando as três décadas de atuação da agremiação no folclore amazonense. Fundado em 1996 como grupo de dança, transformado em tribo em 2001 e consolidado como boi-bumbá em 2015, o Clamor levou para a arena elementos que marcaram sua trajetória.

A apresentação também foi marcada por novidades entre os itens. Irineu Santana estreou como tuxaua e falou sobre a emoção de assumir a nova função. “Realizado é a palavra certa, e gratidão. Surgiu a oportunidade e eu aceitei. Estou nervoso, mas é confiar no nosso potencial e fazer o melhor”, afirmou.

Outro momento foi o anúncio de Adson Queiroz como novo apresentador oficial do Clamor de um Povo para 2027. A passagem ocorre após dez anos de Neto Ribeiro à frente do item. Adson participou dos minutos finais da apresentação e destacou o simbolismo do momento.

“É uma honra para mim. São 30 anos do Clamor de um Povo levando folclore, arte e cultura para Manaus. Essa passagem de microfone é a realização de um sonho de menino que começou a virar realidade hoje”, declarou.

Garanhão leva ‘Florestania’ para a arena

O segundo espetáculo da noite ficou por conta do Garanhão, que apresentou o tema “Florestania”. A proposta utilizou o folclore para abordar a preservação ambiental, a sustentabilidade e a importância da floresta como patrimônio coletivo.

Há quatro anos como porta-estandarte da agremiação, Cristiane Carvalho destacou o vínculo construído com o item e a preparação necessária para defender o pavilhão na arena.

“Para mim é amor, orgulho e respeito erguer o pavilhão do Garanhão. A gente precisa se dedicar e ser determinada. Voltar para a arena traz um sentimento único, parece que é sempre a primeira vez”, contou.

A apresentação também marcou a estreia de Caio Vinícius como mestre da batucada. Após meses de preparação, ele comandou pela primeira vez o ritmo do Garanhão no festival.

“Bate o nervosismo, porque o Garanhão vem em uma crescente gigantesca e a comunidade do Educandos se faz muito presente. Mas, quando sabemos o que estamos fazendo e estamos seguros, é entrar na arena, fazer o que está no roteiro e correr para o abraço”, afirmou.

Corre Campo ecoa voz dos povos da floresta

Encerrando as apresentações da primeira noite, o Corre Campo levou ao Sambódromo o tema “O Ecoar do Povo da Floresta”. O espetáculo colocou no centro da arena a resistência dos povos tradicionais da Amazônia, a defesa dos territórios, da biodiversidade e dos conhecimentos ancestrais.

Pela primeira vez assinando um projeto artístico da agremiação, João Costa destacou a proposta de apresentar uma nova construção estética sem abandonar as características históricas do boi.

“O Corre Campo bradou pelo povo da Amazônia. A gente fez ecoar as vozes dos povos da floresta e se colocou como uma plataforma de voz para esse povo. É um boi que preserva sua tradição, mas que também busca inovar e entregar algo novo ao público”, explicou o integrante da comissão artística.

A passagem do Corre Campo pela arena também ganhou um significado especial com a despedida de Vanessa Costa do item sinhazinha da fazenda. Após 12 anos defendendo o boi, ela encerrou o ciclo sob aplausos e foi ovacionada pelo público.

Antes da apresentação, Vanessa falou sobre a relação construída com o Corre Campo e a emoção de viver seu último festival como sinhazinha. “O nosso último ensaio foi o momento que mais apertou o coração. Quando olhei para o Corre Campo, fiquei frente a frente com ele e percebi que estávamos prestes a viver mais um festival, e um festival histórico. Foi um momento que me emocionou e que vai ficar marcado na minha memória e na minha história”, afirmou.

Segunda noite terá mais três bumbás

A programação dos Bois de Manaus continua neste sábado (08/08), a partir das 20h30, no Sambódromo. Na segunda noite, será a vez de Galante, Brilhante e Tira Prosa apresentarem seus espetáculos.

A realização do festival reforça o calendário cultural do Amazonas e abre espaço para que os bois da capital apresentem ao público trabalhos construídos ao longo de meses. Com a conclusão da primeira noite, o Sambódromo volta a receber neste sábado torcedores e brincantes para a sequência da festa, reunindo tradição, identidade amazônica e novas gerações em torno da cultura do boi-bumbá.

GALERIA DE IMAGENS – Fotos: Gavi Vitim/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

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