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CULTURADOAM

Amazonas tem primeira sala de roteiristas mulheres da Região Norte

*Com informações da assessoria

Como forma de incentivar o protagonismo feminino, desde a criação ao produto final no processo audiovisual, foi criada no Amazonas a primeira sala de roteiristas mulheres, uma iniciativa inédita na região Norte. O ambiente virtual é dedicado à escrita de roteiros para a minissérie “Deus me livre, mas quem me dera” (nome provisório), derivada de projeto de mesmo nome que acumula várias premiações.

Foram quase três anos para o projeto ser colocado em prática, unindo a experiência, a dedicação e o olhar sensível da produtora Flávia Abtibol, fundadora da Tamba-Tajá Criações e roteirista coordenadora da primeira sala de roteiristas mulheres da Amazônia.

“Como eu tenho me dedicado bastante ao ofício de roteirista, senti a necessidade de avançar com um trabalho que privilegiasse não apenas a escrita, mas a criação de universos femininos, com protagonistas mulheres e universos que trouxessem essas vivências, muitas vezes deturpadas ou mesmo silenciadas. Não há, além dessa, nenhuma outra sala de roteiros exclusivamente com profissionais mulheres. Esperamos que a partir dessa, outras iniciativas semelhantes possam surgir e fazer ressoar ainda mais estas vozes”, comentou Flávia.

A sala de roteiros foi contemplada com recursos da Lei Aldir Blanc, pelo prêmio Feliciano Lana, promovido pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa. A iniciativa tem como um dos principais objetivos incentivar o desenvolvimento e divulgação da cultura, em diversas categorias, incluindo a produção audiovisual.

O projeto também conta com a parceria das produtoras amazonenses Aiurimã Produções, Infinito Produções e Simple Produções.

Por conta da pandemia, os trabalhos são feitos de forma on-line, unindo roteiristas e consultoras num único ambiente para discutir a trama presente nos roteiros. Após os debates e trabalhos feitos ao vivo, coletivamente, cada roteirista parte para o trabalho de escrita, que resultará num futuro episódio da série.

A ideia é que outras salas sejam criadas com essa mesma metodologia, fortalecendo a prática da escrita entre as roteiristas amazonenses. A sala de roteiristas também segue em busca de novas parcerias para poder ampliar os trabalhos na área.

Ambiente Coletivo – A equipe da sala conta, além de Flávia, com a participação de outras duas roteiristas, Anne Lima e Dheik Praia, ambas com vasta experiência na produção textual e criação audiovisual.

Juntas, as três formam um ambiente coletivo em que as histórias são construídas a partir da ótica feminina. Elas contam, ainda, com a consultoria da roteirista baiana Amanda Aouad, uma das mais renomadas da área, com experiência em audiovisual, linguagem e dramaturgia.

A estrutura dos roteiros é feita em equipe, e num segundo momento, cada uma das participantes assume um papel fundamental no ambiente da escrita. É um trabalho em conjunto.

Sororidade é uma das palavras chaves no processo criativo, que, sobretudo, tem como base a superação de desafios dentro desse universo.

“Mulheres dentro do audiovisual enfrentam muitas barreiras, visíveis e invisíveis. Neste trabalho é bem diferente. A gente se esforça para poder se entender. É algo surpreendente. Me sinto muito feliz em fazer parte disso, e espero que a iniciativa possa ampliar a participação feminina, assim como o protagonismo, tornando-se algo cada vez mais comum”, destacou Anne.

Mulheres na produção cinematográfica – Uma sala de roteiros é basicamente a reunião de roteiristas para construir de modo coletivo os roteiros de uma série, de um documentário ou de um filme.

De acordo com dados da Agência Nacional de Cinema (Ancine), divulgados em 2018, há uma baixa participação de mulheres nas equipes de roteiros. Elas representam apenas 16,2% desses cargos, formados majoritariamente por homens.

Mudar essa realidade também é um dos objetivos da primeira sala de mulheres roteiristas da Região Norte.

“Quando mulheres oportunizam que outras mulheres participem de projetos como esses, construídos coletivamente, debatidos de modo conjunto, a gente só tem a ganhar. Nossos personagens principais são personagens femininos e que fazem essa presença de força da presença da mulher, então é muito importante que mulheres estejam reunidas construindo esse projeto”, ressaltou a roteirista Dheik Praia.

“Deus me Livre, mas quem me dera” – O primeiro roteiro escrito em conjunto pela sala de roteiristas mulheres é a série “Deus me Livre, Mas Quem me dera”. São seis episódios, de 26 minutos. Cada roteirista ficou responsável por escrever dois episódios, e todos eles são avaliados por uma consultora especializada, da Bahia.

A ideia geral foi criada por Flávia Abtibol, a partir de um projeto original da obra, vencedor de prêmios renomados na área cinematográfica.

“Deus me Livre, mas quem me dera” conta a história de Morena, uma menina simples, sonhadora, muito aguerrida e decidida a buscar a sua liberdade, ser uma pessoa independente.

Por um golpe do destino, ela vai esbarrar com um dos maiores desafios da vida dela: assumir o sonho de ser cantora.

O objetivo é representar tantas outras garotas amazonenses, e amazônidas, que precisam batalhar muito para realizar sonhos, e mostrar a força de mulheres que querem ser livres, sobretudo, na área artística.

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