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Em Manaus, encontro reforça a importância do mercado da ópera para a economia

Foto: Michael Dantas/SEC

Na manhã deste domingo (26/05), o Festival Amazonas de Ópera (FAO) deu início a um novo momento, com a realização do encontro “Os Teatros de Ópera e a Economia Criativa na América Latina”, que reuniu representantes do segmento para reforçar a importância do mercado operístico para a economia.  O evento, que aconteceu no Centro Cultural Palácio da Justiça, também foi marcado pelo anúncio do investimento de mais de R$ 2 milhões para a Atualização Tecnológica do Sistema de Combate à Incêndio do Teatro Amazonas.

O FAO é realizado pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), com patrocínio master do Bradesco, através da Lei de Incentivo à Cultura, Ministério da Cidadania e Secretaria Especial de Cultura. A abertura foi no dia 26 de abril e o evento segue com apresentações de ópera, recitais e concertos até 30 de maio.

Participaram do encontro, que foi mediado pelo diretor artístico do FAO, maestro Luiz Fernando Malheiro, o secretário estadual de cultura, Marcos Apolo Muniz; o secretário especial de Cultura do Ministério da Cidadania, Henrique Medeiros Pires; a diretora executiva do FAO, Flávia Furtado; a chefe do Departamento de Economia Criativa do BID, Trinidad Zaldivar; a diretora administrativa da Opera Latinoamerica, Paulina Ricciardi; o diretor executivo da Ópera da Colômbia, René Coronado; e o presidente da Academia Brasileira de Música, João Guilherme Ripper.

Foto: Michael Dantas/SEC

Anfitrião do encontro, Marcos Apolo Muniz, falou sobre as 22 edições do Festival Amazonas de Ópera (FAO).

“No início do FAO, todos os artistas e técnicos vinham de fora. Mas, ao longo dos anos, percebemos a necessidade de ter uma produção local. Ainda bem que os profissionais estavam abertos a compartilhar conhecimento porque, a partir dai, buscamos nos especializar, procuramos a excelência, o que foi essencial para a movimentação da economia no setor de produção; para a criação do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro, onde já foram descobertos inúmeros talentos, que hoje compõem o Corpo Artístico do Estado; e para a criação da Central Técnica de Produção (CTP), onde hoje são construídos todos os cenários, os figurinos das montagens do festival, legados deixados pela ópera”, observou.

Em sua fala, o secretário especial de Cultura, Henrique Medeiros Pires, ressaltou que a ópera tem um olhar diferenciado do Governo. “A ópera já tem um olhar diferenciado e podemos verificar isso dentro da Lei Rouanet, onde a ópera ficou como exceção já que ela não está limitada a tetos. Entendemos que se fosse colocada numa categoria que tivesse um teto, inviabilizaria a continuidade das produções”, comentou.

Henrique Medeiros também anunciou o investimento de mais de R$ 2 milhões para a Atualização Tecnológica do Sistema de Combate à Incêndio do Teatro Amazonas.

“Quando o Fundo de Defesa de Direito Difusos abriu o edital, o projeto feito pela equipe técnica da Secretaria de Cultura do Amazonas já estava pronto, foi submetido via Iphan e foi contemplado. O valor exato do investimento será oficialmente divulgado no dia 13 de julho e o recurso deve chegar ainda no segundo semestre”, afirmou.

Demandas do segmento – Durante o ciclo de palestras foram apresentadas algumas demandas do segmento. Flávia Furtado, diretora executiva do FAO, falou sobre os aspectos econômicos do mercado da ópera e salientou que a cultura precisa ser vista de forma mais global.

“A cultura precisa ser entendida como geradora de empregos em todas as áreas econômicas, já que o gênero ultrapassa a área cultural e movimenta também o turismo, a educação, o comércio”, destacou.

Já João Guilherme Ripper, presidente da Academia Brasileira de Música, abordou a necessidade de um repertório lírico vivo, duradouro e itinerante; além de instigar a necessidade de integração dos teatros de ópera brasileiros.

“Os teatros de ópera precisam investir em centrais técnicas com capacidade de acondicionar suas produções, isso os torna mais vivos, duradouros e viáveis em termos financeiros”, comentou. “A ópera é um grande gerador de conhecimento e profissionalização como nos mostra o trabalho brilhante que tem sido feito no Amazonas”, observou. “Precisamos elaborar um plano de integração de teatros de ópera do Brasil. Estamos integrando hoje o Brasil à OLA a partir de Manaus, os outros teatros brasileiros precisam chegar junto, precisamos fazer com que os teatros desse país se integrem entre si”, pontuou.

Troca de experiências  – Um dos objetivos do encontro foi a troca de experiências positivas. Paulina Ricciardi, diretora administrativa da Opera Latinoamerica, falou sobre a OLA e o Escena Marketplace.

“Somos uma rede que compartilha informações e conhecimento entre 33 teatros de ópera. Firmamos parcerias internacionais que nos ajudam a difundir o trabalho lírico. Estamos muito contentes de participar deste encontro e ter o Brasil como o primeiro a assinar o acordo com a OLA, assim queremos ajudar no desenvolvimento dos teatros de ópera do país, vamos compartilhar boas práticas e fazer circular as produções”, pontuou. 

Já Trinidad Zaldivar, chefe do departamento de Economia Criativa do BID, falou sobre “Economia da Cultura dentro do desenvolvimento sustentável no mundo”.

“É muito importante o papel da criatividade no futuro do trabalho, pois é um capital que não vai desaparecer, mesmo com toda a informatização. Somente a criatividade vai movimentar a economia e gerar novos campos de trabalho”, avaliou.

René Coronado, diretor Executivo da Ópera da Colômbia, falou sobre a importância do investimento do Ministério da Cultura de Colômbia na Central Técnica de Produção.

“Na Colômbia, historicamente, o investimento na ópera tem sido de caráter privado. Agora, a ópera da Colômbia começa a interagir com uma política de desenvolvimento ao redor das indústrias criativas e culturais, porque o presidente Iván Duque permitiu a formulação de um plano de desenvolvimento que dá uma atenção ao desenvolvimento das indústrias criativas e culturais e aposta na formação de fundo que permite injetar capital no setor”.

Investimentos em âmbito nacional – O encontro foi marcado também pelo anúncio, feito pelo secretário especial de Cultura Henrique Medeiros Pires, de novos investimentos nacionais na área de cultura e patrimônio cultural.

O quadro técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por exemplo, será fortalecido com a chamada de 280 técnicos aprovados em concurso. 

“É importante destacar que conseguimos, em menos de seis meses de governo, algumas vitórias, como é o caso do Iphan, que tinha uma equipe muito reduzida, e conseguimos fazer a chamada de 280 técnicos aprovados por concurso. Em Manaus, o escritório vai receber nove técnicos para reforçar a equipe”, afirmou Henrique Pires.

De acordo com o secretário especial também foi aprovada a construção de um prédio anexo a Casa Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, para melhor abrigar o acervo do museu que conta com obras de nomes como Clarice Lispector e Carlos Drummond de Andrade; e a obra para a salvaguarda do acervo da Biblioteca Pública Nacional.

“Também conseguimos o recurso de R$ 21 milhões para terminar a obra que vai garantir a salvaguarda do acervo da Biblioteca Pública Nacional. São livros que estão no anexo que fica na zona portuária, lá estão 200 anos de história da Literatura Brasileira”, observou.

Sobre o 22º FAO – Em 2019, o FAO celebra o centenário de nascimento de Claudio Santoro com a apresentação da ópera “Alma”, do compositor e maestro amazonense. Também estão na programação “Ernani”, de Giuseppe Verdi; “Maria Stuarda”, de Gaetano Donizetti; “Tosca”, de Giacomo Puccini; e “Mater Dolorosa”, baseada na cantata “Stabat Mater Dolorosa”, de Giovanni Pergolesi.

Os ingressos para o FAO 2019 estão à venda na bilheteria do Teatro Amazonas e pelo site Bilheteria Digital (www.bilheteriadigital.com/teatroamazonas), com valores que vão de R$ 2,50 a R$ 60.

A programação do festival abrange ainda o Recital Bradesco, com canções compostas por Claudio Santoro; o projeto “Ópera Mirim”; o encontro “Os Teatros de Ópera e a Economia Criativa na América Latina”, voltado para apresentar dados e casos de sucesso sobre a Indústria da Ópera na América Latina; o concerto do Dia das Mães; e Mulheres da Ópera.

Sobre o Bradesco Cultura – Com centenas de projetos patrocinados anualmente, o Bradesco acredita que a cultura é um agente transformador da sociedade. O Banco apoia iniciativas que contribuem para a sustentabilidade de manifestações culturais que acontecem de norte a sul do País, reforçando o seu compromisso com a democratização da arte.

São eventos regionais, feiras, exposições, centros culturais, orquestras, musicais e muitos outros, além do Teatro Bradesco em São Paulo. Fazem parte do calendário 2019 atrações como o musical “O Fantasma da Ópera” e o Natal do Bradesco, em Curitiba.

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